quinta-feira, 2 de setembro de 2010

ReVista

Finalmente posto o projeto que mais dor de cabeça me deu durante o semestre passo - um livro sobre Design Editorial. Inicialmente, depois de muita indecisão quanto a escolha do tema e da abordagem pretendida, sonhei que conseguiria produzir o conteúdo de todo o livro. O que era, obviamente, inviável tendo em vista a profundidade exigida por tal pesquisa e a demanda de tempo. Apesar disso,consegui reunir um conteúdo significante, mesmo que copiado parcialmente das mais variadas fontes. Só tomo essa nota como um alerta para o não academicismo do conteúdo do livro. A proposta central desse projeto foi o desenvolvimento gráfico, mesmo que o objeto proposto fosse metalinguístico. Depois do relato do projeto, deixo o livro para quem interessar ler!

ReVista

ReVista é um livro coletânea sobre Design Editorial. Passeando pelo início do século XX, ele aborda revistas, que preferencialmente tratassem sobre design, arte e cultura, que se destacaram de alguma forma em cada década. Conta-se um pouco da história de cada revistas e as figuras importantes dentro desses veículo. Através delas é possível criar uma ideia do panorama até mesmo global dos acontecimentos. Isso se dá, seja pela história das pessoas envolvidas, seja pelo material que elas expõe, suas críticas, matérias e textos, ou pela forma que expõe. Essa forma de se expor é ainda mais intrigante, em revistas de design e cultura, onde a forma é tratada com muito valor. Muitas delas dão atenção especial a esse caráter propondo experimentações dos mais variados tipos. A revista é produto do meio, para o meio. Assim, semioticamente, é significante e significado.

O design editorial constitui um meio de representação de ideias, conteúdos e sentimentos. Tal meio, no entanto, não é neutro ou indiferente aos conteúdos que apresenta, mas é coerente e solidário com esses e com o contexto histórico no qual se manifesta. Todas as épocas possuem suas próprias formas visuais, que acrescentam novas informações ao repertório das linguagens gráficas.
Fernanda Sarmento (Design Editorial na Revista Senhor)

Naming


Em um jogo de dualidades, a escolha do nome propõe um momento de reflexão devido à contrariedade. Um livro que se denomine revista, aponta para seu objeto de estudo e para a sua proposta, revistar, revisitar o início do século sobre um novo olhar ao longo das revistas.

Estrutura
O projeto de design nada mais é do que uma Gesamtkunstwer, a obra de arte total tão sonhada na virada do século. Por isso, cada detalhe deve ser pensado como parte do todo. Em ReVista, o conteúdo foi dividido por décadas. Essa divisão facilita em termos didáticos, mas é extremamente complexa já que muitas vezes essa divisão não atende a relevância história de um veículo. Além disso, viradas de século e de décadas sempre são acompanhadas de diversas mudanças que apesar de terem sido iniciadas no passado são mais relevantes no período seguinte. O início do século XX foi recreado de vanguardas e movimentos artísticos.
A constituição da sociedade moderna é cheia de pormenores que não deviam ser subvalorizados, mas que por escolhas editoriais acabaram em segundo plano. Assim, apesar de dividido por décadas, o livro deixa claro essa necessidade de não separação do tempo através da costura de encadernação dos livretos.
A linha que sobra de um dos cadernos é laceada ao próximo dando a ideia de continuidade, a linha do tempo. Para ler o livro, o leitor precisa desfazer esse laço, ele descontinua o tempo. Essa metáfora da linha é um dos motivos para a escolha da encadernação. Como são livretos de 20, 24 páginas uma única costura aparente seria eficaz na junção das páginas além do recurso estético da amarração de páginas. Dando continuidade a essa proposta. A luva que protege os cadernos é revestida em tecido branco, Vivox, (no protótipo foi utilizado Brim) não destoando os materiais e o conceito de trama, junção, para constituir um novo.



Projeto Gráfico
Apesar de boa quantidade de texto, era fundamental a existência de imagens que ilustrassem e apresentassem as revistas ali tratadas. Para tanto, foi estabelecido um grid principal de uma coluna onde o texto principal foi inserido. As margens foram projetadas para criar áreas de respiro tanto para o texto como áreas de sangramento das imagens.
Através de um grid de três colunas foram inseridas as legendas das imagens. As imagens também obedecem a essa lógica construtiva. No entanto, em alguns casos elas ultrapassam o limite das margens, aproveitando ao máximo a área de impressão.
Como recurso gráfico de representabilidade das décadas foi utilizado a tipografia. Relembrando as antigas tipografias do início do século, assim como as experimentações realizadas por elas e por diversos artistas, era fácil estabelecer e perceber padrões estilísticos. Criaram-se tramas embaralhadas com os estilos de cada década. Além disso, os estilos podiam se misturar de década em década, com maior ou menor destaque. Esse conceito de representatividade tipográfica, da tinta impressa sobre a página foi resignificado para dentro dos livretos. O respingo da tinta foi inserido como um índice do processo reprodutivos das revistas, a reVista do tempo e do texto relembrado por um índice de sua existência.



Tipografia
Como graficamente já foram utilizadas tipografias diversas, a escolha tipográfica se baseou na neutralidade e em uma família que possuíssem diversos pesos. Era necessário dar sobriedade ao texto, mas ao mesmo tempo dinamismo. Assim, a família Thesis foi a eleita. Desenhada por Lucas de Groot, entre 1994 e 1999, procuram fornecer uma fonte empresarial humanista moderna. Cada fonte está disponível em uma variedade de peso, bem como em itálico, importante para citações e estrangeirismos. A gama de pesos foi projetada usando a teoria de Groot de interpolação. A b interpolação óptica, nos caules de três (o mais fino a), b (interpolação) e C (mais grossa), é definida como a média geométrica de a e b c ², ou seja, AC = (em oposição ao linear média aritmética).
Para citações foi feita uma composição com corpo de texto 16pt na fonte The Mix, light e em itálico, criando blocos de texto harmoniosos apesar de serem alinhados à esquerda. As legendas de imagens foram compostas em 7pt, light, com apenas 70% de opacidade. Assim, ganham menor destaque, não disputando a atenção com o bloco de texto central. O texto principal é composto no corpo 9pt. The Sans, regular.

Formato
Apesar do caráter de memória, optou-se por um formato menor para o livro. De fácil manuseio e armazenagem. O formato mais vertical passa ideia de maior credibilidade ao conteúdo. Livros teóricos, geralmente, possuem esse formato. Assim, a página possui 9,8cm. X 19,6cm.



Miolo
Para servir de suporte tanto ao texto quanto para as imagens, sem a pretensão de ser um livro de arte em que as imagens têm maior valor do que propriamente o texto, foi utilizado um papel apergaminhado, de altaalvura e de superfície bem lisa. Dentre os disponíveis no mercado, o que melhor atendia a essa demanda era o Opalina Liso Branco, 120g. Sua gramatura, um pouco maior do que o normal em brochuras, permite a impressão de grandes áreas impressas sem que haja o “vazamento” de tinta para o verso.



Capas
As capas foram projetadas graficamente com composições tipográficas que representassem cada década. Para ressaltar a diferenciação, mantendo o preto como tinta de impressão, foi escolhido um papel de cores diferentes para cada década. Sendo assim, de forma a não destoar do papel do miolo, foi escolhido um papel apergaminhado, que sustentasse grandes áreas de impressão e que oferecesse cores diferentes. Assim, foi utilizado o papel ColorPlus, 180g. (Alaska, Marfim, Roma, Brasil, Fidji e Pequim). As cores de cada capa procuram refletir o tom de cada década. A introdução se mantém na neutralidade através do branco. Enquanto que, por exemplo, 1920 vem em vermelho com a guerra cível russa e o comunismo; 1930 trabalha a padronização e simplificação da forma através de um cinza pastel e 1940 vem com um verde exército fazendo referencia à guerra.


Os satélites foram quase que eliminados do projeto gráfico. O único que foi mantido foi a paginação, pequena e alinhada à esquerda, nas páginas ímpares, logo abaixo da caixa de texto.


Luva


Apesar dos cadernos serem amarrados entre si pela costura de encadernação, era necessária uma estrutura que unisse esses cadernos para que os pequenos livretos não fossem separados e tratados individualmente. A luva serve tanto para a armazenagem deles quanto para dar maior valor ao livro. Para tanto, a utilização do tecido de revestimento atua como um diferencial. Para realizar essa impressão no tecido, o processo de impressão escolhido foi o serigráfico. Apesar da arte da capa possuir muitos detalhes, a trama da serigrafia configuraria mais um efeito gráfico do que a perda da qualidade de impressão. A parte de texto da capa mantém, mesmo na lombada, corpo maior que 8pt., não sendo um empecilho ao processo gráfico. O jogo de branco e preto trabalha no sentido da revelação,de impressão propostos pelo livro. Para ressaltar esse contraste, o forro interno da luva é em camurça preta. É o lugar escuro de onde saem as informações, onde se merece uma reVista.

3 comentários:

  1. minha amiga é demais msm... tem até revisata....parabens bruna...adorei

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  2. Brunita, finalmente! Adorei! Parabéns!
    Beijos

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  3. como faço pra adquirir a mesma??? fiquei muito interessado, espartacus1984@hotmail.com

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