quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Indies

Essse projeto está na gaveta faz algum tempo. Foi realizado na disciplina de Metodologia Aplicada ao Design II – ED/UEMG, no primeiro semestre de 2009. Como essa cadeira consistia em explicar a metodologia de desenvolvimento de projeto, vivi de um mesmo assunto durante seis meses. Desconsiderando o fato de que outras disciplinas inventaram de nos ajudar, pobres alunos, utilizando o mesmo objeto para o desenvolvimento de outros trabalhos, economia de pesquisa. Mas calma, vamos por partes.
Foram pseudo-sorteadas tribos urbanas do século XXI – Emos, Forrozeiros, Patricinhas, Indies e Skatistas. No meu caso, trabalhei com os Indies. Demorei uns bons dois, três meses para entender realmente que tribo era essa. Se é que ainda não sei explicar bem quem são esses seres. Acredito que mostrando os trabalhos vocês possam compreender junto comigo.

Etapa 1 – Prancha de Coleta de Dados
Nesse primeiro momento o medo transbordava de nossos corações. A incerteza quanto às informações obtidas e o rigor das avaliações nortearam nossa falta de norte. A baixa resolução da primeira prancha que foi composta fez com que ela fosse substituída. Era necessário mostrar a maior quantidade de informação possível sobre essa tribo de forma direta. Fulaninho que usa isso e isso, que é assim e assado. Sem metáforas, literalidades, um simples ver e entender. O que poderia ser fácil se aquela foto super bacana de uma mesa com vários indies não tivesse cartazes da Skol no fundo ou garotas com salto Anabela. Sem contar que nessa época (como se já estivéssemos há anos luz) os indies eram a sensação do momento. E, com isso, outra tribo, os hipsters, realizou uma simbiose da linguagem e do comportamento indie. Quase um paradoxo do pretérito imperfeito, complexo com a Teoria da Relatividade.
Vamos às pranchas.
1 - descartada

2- mostrava muito pouco ou quase nada

Indies andam em pequenos grupos, muitas pessoas é algo massivo e pegajoso. São seres individuais. Blasés - algo próximo da melancólica, do bege, da apatia. Buscam a informação e o conhecimento. Muito ligados a músicas, conhecem todas e mais outras bandas independentes e do universo underground.

Usam roupas confortáveis, tecidos de algodão. As cores são decaídas na tonalidade – lavadas; pastéis e sóbrias. Buscam referências no passado, roupas de brechós, discos de vinil. Qualquer objeto referente ao passado é tratado como conhecimento. Nesse resgate trazem óculos wayfarer, roupas xadrez, tênis conga, Allstar, lenços. Pregam um estilo alternativo. No entanto, esse alternativo não deve nunca ser relacionado com a sociedade hippie. Os indies fogem do popular. Bebem cerveja, porém, não é qualquer cerveja – existe um requinte em suas escolhas – Stella Artois, Heiniken, jack Daniel’s. Pregam quase que uma desvinculação da sociedade e normalmente a vêem com apatia.

Etapa 2 – Semântica
Aqui, deveríamos sintetizar os aspectos semânticos da tribo em uma prancha exclusivamente tipográfica. Propus uma frase que trabalhasse com a ironia, muito utilizada por eles. E, trabalhando, além disso, com a estética e o humor das camisetas dessa tribo.
 

A frase - Allways one steps ahead to somewhere else - diz sobre essa impressão que o indie encontra-se sempre à frente. Ele sempre conhece uma banda que acabou de surgir, ele já seu aquele livro que você acabou de comprar e já foi naquele evento super exclusivo sobre o cinema iraquiano. Reforçando a ideia de distanciamento do grupo. A tipografia escolhida é handscript para traduzir o espírito do it your self do indie. Além da referência das camisetas sempre divertidas e com linguagens gráficas quase infantis. No fundo foi criado um padrão xadrez com a frase.

Etapa 3 – Simbolismo
Com esse caminhão de informações, a próxima etapa era criar mais uma prancha que se trata essa tribo de forma simbólica. Escolhi para tanto um sótão. Por quê? O sótão é um lugar isolado do restante da casa. É lá onde se encontra grande parte de tudo aquilo que você já viveu. Lá estão livros, vinis, roupas antigas – o próprio paraíso indie. Além disso, o sótão vai se formando com o tempo, tal como o aprendizado, está tudo ali. Graficamente o indie e o sótão se assemelham. Não tem uma preocupação formal de estilo. Vão se arranjando quase que ao acaso. Predominando certo desalinhamento – caixas empilhadas, amontoado de papéis, cabelos despenteados, roupas desajustadas. A luz do sótão é sempre esmaecida, contribuindo para a formação de tons mais fracos, opacos. Além disso, a própria oxidação dos objetos faz com que suas cores percam vivacidade. Assim, o padrão cromáticos de ambos é similar.


A ideia em si era boa. No entanto, a solução apresentada não foi satisfatória. Não existia perto de mim um sótão a ser fotografado. Logo, meu sótão ficou muito organizado e com poucos objetos icônicos do mundo indie.

Etapa 4 – Estilo de Vida
Essa prancha buscou mostrar tantaranrám!!(suspense)!! O estilo de vida! O que os indies consumem e o que eles fazem. Bom, ai está. Eles consumem muitos e os mais variados produtos culturais não massificados. Encontram-se em cafés para curtir o blasé da vida. Uma pequena brincadeira nessa prancha é o casal central que está sobre um bueiro com um grande pedregulho – eles estão protegendo o underground para que você, escória da humanidade que faz Dança da Motinha no horário de almoço, não o corrompa e infeste-o. Invasão essa que vem acontecendo! (até a gente desistir e achar tudo aquilo uh ó.)


Única ressalva nessa prancha é para a felicidade dos dois sujeitos na janela. Para uma prancha que represente o estilo de vida indie eles estão expressando a felicidade muito livremente.

Etapa 5 – objeto multisensorial
A proposta final da disciplina era fazer um objeto que estimula-se os cinco sentidos.

Como resultado, desenvolvi uma pequena caixa de som inspirada em amplificadores retros que funciona como alto-falante para um ipod – objeto indispensável para todo indie de respeito. Dentro dela está uma lata de Heineken para o paladar e, um copo de café expresso para o olfato. A caixa foi revestida por corino, tecido de caixas presente nos amplificadores e, por dentro, por um vinil que possui ranhuras em sua superfície aparentemente lisa, tudo isso para o tato. Para a audição, obviamente temos o ipod e na playlist, King of Leon. O visual ficou encarregado pela estética retro do próprio objeto. Além disso, foi elaborados ícones indicando o que deveria ser feito, ou melhor dizendo, o que não deveria ser. Lançando mão novamente da ironia, os indies não desejam compartilhar o mundo deles. Logo, não é interessante que te indiquem o que deve ser feito. Por isso, os ícones indicam equipamentos de segurança de forma a evitar seu contato com as sensações.



E fim. Foi um trabalho muito bacana. O melhor é que auto-ganhei um amplificador de mp3! Muito bacana e único – todo na indiecialidade.

Para não terminar nessa coisa ridícula de babar em você mesmo, deixo uma lembrança dessa época e das madrugadas de revolta e/ou empolgação com essa "thurma" indie.

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